por José Eustachio, Sócio-Diretor da Talent
Como estão sendo formadas as instituições e determinadas suas crenças e
atitudes? Como vão impactar o nosso futuro?
A resposta é: depende da pessoa que está à frente de cada instituição.
Basta uma observação atenta para constatar que o fator definitivo que
influencia tudo é sempre a pessoa que está no comando.
Não importa se é uma família, um grupo de amigos, um time de futebol, uma
seita, empresa ou governo.
A prova de que é a pessoa o fator determinante está no fato de que a simples
mudança de quem está à frente da instituição altera totalmente o seu
comportamento.
As decisões que essa pessoa toma ou deixa de tomar são resultado dos seus
valores, suas crenças, medos, sonhos, coragem, esperanças, interesses. Em
última instância, são essas decisões que vão impactar a organização e suas
ações e manifestações.
Alguns nomes por si só ilustram essa realidade.
Pensar em empresas como Virgin, Nike, Microsoft, Amazon, Dell, The Bodyshop
sem a figura dos seus líderes seria possível?
A Nissan de hoje está no mesmo business que estava há 10 anos, atuando no
mesmo mercado, vendendo carros para as mesmas pessoas. A Nissan de hoje, no
entanto, é uma outra instituição, radicalmente diferente, bem-sucedida,
moderna, brilhante, admirada.
O que mudou na Nissan e mudou a Nissan?
Mudou a pessoa que responde pela direção da instituição.
Desde a mais prosaica lojinha de pão-de-queijo até a mais poderosa
organização do planeta, todas as instituições são afetadas dramaticamente
por quem está à frente da sua administração.
Mesmo um país como os Estados Unidos, com instituições tão fortes e munido
de tantos e efetivos instrumentos para que não se veja dominado por
interesses individuais, não está livre da verdade de que a pessoa no comando
é determinante em relação a tudo o mais.
A troca do presidente muda dramaticamente as atitudes de um país, ou não é
esta uma evidência que está na nossa cara, para quem quiser ver?
É necessário refletir a respeito desse fato.
A escolha da pessoa que irá liderar a instituição, e não importa a natureza
dessa instituição ou seu tamanho, é mais importante do que todos os outros
fatores somados.
Nesse sentido, qualquer cargo de comando deve ser entendido como meio para a
manifestação da história de vida daquele que o ocupa.
E essa é a questão: quais histórias de vida estão sendo vivenciadas nos
postos de liderança.
Nada é mais complexo do que o homem dentro do seu próprio universo como
indivíduo, e o que está determinando o que as organizações são e fazem é o
indivíduo em toda sua complexidade.
Acreditar que o coletivo pode determinar as ações e destinos de uma
organização é uma visão romântica.
É a importância do cargo, e seu poder sobre as pessoas, que dá condição para
que a influência seja exercida. E os cargos são ocupados por indivíduos, não
pelo coletivo.
Precisamos refletir sobre que tipos de indivíduos estão tendo acesso, nas
instituições, a cargos que dão a eles a possibilidade de exercerem a sua
história de vida.
Que história de vida tem o pai de família, o professor, o padre da paróquia
ou o papa, o dono da quitanda, o CEO da multinacional ou o presidente de um
país.
Que história de vida tem a pessoa contratada para o cargo de gerente de
vendas regional ou gerente da agência de um banco em uma pequena cidade do
interior.
É fundamental esse questionamento porque podemos estar certos de que essa
pessoa irá fazer uso do cargo para, por meio dele, vivenciar a sua história
de vida.
Nenhuma organização, não importam os valores que adote, será diferente das
pessoas que ocupam seus cargos de comando. Repito: pessoas, e não
profissionais.
A tentativa de equalizar o comportamento da organização por meio da
disseminação de valores e crenças é uma tarefa de enorme dificuldade quando
esses valores e crenças não fazem parte da história de vida das pessoas.
As lideranças deveriam ser escolhidas e motivadas por esse pressuposto.
Como fazer uma organização assumir uma atitude e ser fiel a ela
naturalmente, a cada dia e em todas as suas ações?
A resposta está em começar a pensar na história de vida que o seu presidente
precisa ter e, a partir daí, em todos os outros cargos de comando e nas
pessoas que irão ocupá-los.
No íntimo de qualquer instituição, não existe outra coisa que não seja
gente. Esse é o fator determinante: que tipos de pessoas estão hoje no
comando e quais as que estarão no futuro.
Qual a formação que os futuros dirigentes estão recebendo, seus valores,
experiências como indivíduos, crenças, com que medos, sonhos e expectativas
estão sendo alimentados.
Qual a história de vida que as novas lideranças estão construindo e que irá
determinar suas atitudes em todas as situações de vida.
Esqueça os modelos de análise para tentar decodificar o mundo que estamos
vivendo ou o mundo que vem aí pela frente.
Desconfie das indicações vindas do comportamento coletivo. Esse
comportamento é apenas reflexo da ação de alguém que teve a oportunidade de
influenciar todos os que estão em sua órbita.
Os movimentos coletivos são, na verdade, um fenômeno que se traduz pela
adesão de um grande número de pessoas a uma liderança com poder de agir
sobre elas.
Identifique as lideranças atuais ou as que emergirão no futuro, suas
histórias de vida, e aí sim saberemos com grande grau de acerto por que as
coisas acontecem hoje e o que esperar desse futuro.
Ponha atenção no indivíduo, entenda o que ele é, e saberemos que mundo
estamos construindo.