Posts com a Tag ‘Artigo’

Atitude, acho que a palavra seria essa

Por João Livi, Diretor Geral de Criação da Talent

Se eu pudesse resumir o trabalho que a Talent, agência cuja criação dirijo há 5 anos , em uma palavra, não seria planejamento, nem seria criação, nem seria moderninha nem seria tradicional. Nem seria midia, ou negócios.

Sem dúvida, o forte desta empresa, e que aí sim, inclui departamentos e pessoas, é atitude.

Nunca vi um grupo de pessoas com uma personalidade tão própria e tão independente, tão livre de pressões , tão arisca ao poder da grana fácil, tão pouco teleguiada por critérios externos , tão pouco pautada por prêmios, tão indiferente à coluna social.

Não estou descrevendo um mar de rosas, apenas um jeito de trabalhar totalmente peculiar dentro do mercado, e que às vezes nos faz brilhar de um jeito totalmente diferente, às vezes nos faz apanhar também.

A briga aqui é fazer propaganda criativa , lembrada, adorada , engraçada, comentada e que dura anos, num tempo em que todo mundo teima em dizer que tudo dura dois meses. Aí entra a atitude e diz que se todo mundo achar que não se pode fazer mais campanhas longas, tá na hora de fazer um Skavurska e mostrar o contrário.

Outra briga é a do politicamente correto, uma moda que dever ter sido inventada por um medíocre de carteirinha, uma prática absolutamente preconceituosa que tenta educar as pessoas a não reconhecer as diferenças. Preferimos  dizer negra linda a ofender alguém com a alcunha de afro-brasileira.

Aí vem a parte ruim, como por exemplo a polêmica com alguns blogueiros no ano passado,
por conta de um filme do Estadão. Tá bom, errei a mão, fui demais, já pedi desculpas e mudamos a campanha. Mas não se pode ser anódino, sem ponto de vista. Propaganda tem que ter ponto de vista, sim, como a campanha de Xingu que nós fizemos. Os mais lindos anúncios com um tema provocativo, pra fazer as pessoas pararem de pedir sempre a mesma coisa.

A gente discute sempre as abordagens que existem por aí, algumas até com um formato bacaninha, que repetem o que as pessoas já sabem. Porque é então que alguém gastaria 5, 10, 15 milhões para dizer alguma coisa que o mundo já sabe , tipo geladeira que gela, carro que acelera, tv para ver e etc? Tudo muito nonsense.

Cadê a proposta, a discussão? É pra pensar no quê? Ah, era só pra me lembrar que geladeira gela? Legal, valeu…

Também temos um ponto de vista bem particular em relação a novas mídias e velhas mídias, que é mais ou menos assim: as velhas mídias são tão velhas ou novas quanto você deixar que elas sejam. As nossa campanhas para Sony Ericsson são a prova de que muito ainda não foi inventado. Por outro lado, as mídias novas podem perfeitamente ser usadas de forma bem antiga, com simples presença de marca, merchan, banners sem ideia e etc.

Quando a gente propõe para a Tilibra um site em homenagem à lingua portuguesa, com profundidade, cheio de idéias, com teor ao mesmo tempo lúdico e educativo, aí o jogo fica bem mais interessante.

E os prêmios então: a Talent sempre foi uma das agências mais reconhecidas e premiadas do Brasil , e a gente tem uma postura que beira a displicência com isso. Nas vésperas das inscrições terminarem, alguém faz uma lista, que outros completam, e mandamos para o caça-níqueis. Depois todo mundo volta pra mesa pra fazer uma campanha como “Apaixonados por carro como todo brasileiro” ou a recente “A vida com uma desculpa a menos”.

Quem trabalha aqui tem que ter personalidade e talento, e talento pra ser feliz também, porque a gente não briga com cliente, não ilude, fala tudo o que quer dizer de um jeito aceitável de se ouvir. Consideramos o cara do outro lado da mesa um colega de trabalho. E damos um jeito para que ele sinta a mesma coisa.

Isso sem falar da ética, que aportou na agência no footprint do Julio. Na época, o cara se recusou a atender contas de governo, bebidas destiladas e cigarro, simplesmente as maiores do mercado, porque achava que as três categorias fazem mal à saúde (rsrsrs). E não é conversinha pra boi dormir: o que a gente não topou de negócios e contas que dariam uma bela manchete de jornal do trade não foi bolinho. Teve conta de 50 milhões , que veio com esqueminha , que a gente não topou nem continuar na concorrência. Então mais uma vez a gente teve que usar toda a personalidade do mundo , respirar fundo e ver alguma agência anunciando a “conquista” depois , enquanto a gente agradecia a nós mesmos por ter se incluído fora dessa.

Quer ver outra coisa comum? Nego rindo quando alguém se estrepa e nego morto de inveja quando alguém se dá bem. A gente adora ver campanha boa de outra agência, porque a briga é contra propaganda ruim. O sucesso de outra empresa ou de outra pessoa não é um motivo de frustração para a gente , até porque a gente já tem as nossas frustrações práticas do dia-a-dia. Mas até pra isso precisa independência e atitude, porque é bastante corriqueiro um cara no mercado se dar bem e começar a tomar porrada , todo mundo querer que o cara se ferre. Isso é a várzea!!!

Toda essa independência não quer dizer falta de vaidade, pelo contrário. Não trocaria a campanha da Net por nenhuma outra do mercado, principalmente de Telecom, onde a gente diverte geral. Nem trocaria a campanha Transformações do Estadão por nenhuma outra campanha de jornal feita no Brasil nos últimos 15 anos. Nem acho que alguém esteja fazendo um trabalho em revista com a turma aqui tem feito para Sony Ericsson.

Pessoas e suas histórias de vida fazem o mundo ser o que é

por José Eustachio, Sócio-Diretor da Talent

 

 

 

Como estão sendo formadas as instituições e determinadas suas crenças e

atitudes? Como vão impactar o nosso futuro?

A resposta é: depende da pessoa que está à frente de cada instituição.

Basta uma observação atenta para constatar que o fator definitivo que

influencia tudo é sempre a pessoa que está no comando.

Não importa se é uma família, um grupo de amigos, um time de futebol, uma

seita, empresa ou governo.

A prova de que é a pessoa o fator determinante está no fato de que a simples

mudança de quem está à frente da instituição altera totalmente o seu

comportamento.

As decisões que essa pessoa toma ou deixa de tomar são resultado dos seus

valores, suas crenças, medos, sonhos, coragem, esperanças, interesses. Em

última instância, são essas decisões que vão impactar a organização e suas

ações e manifestações.

Alguns nomes por si só ilustram essa realidade.

Pensar em empresas como Virgin, Nike, Microsoft, Amazon, Dell, The Bodyshop

sem a figura dos seus líderes seria possível?

A Nissan de hoje está no mesmo business que estava há 10 anos, atuando no

mesmo mercado, vendendo carros para as mesmas pessoas. A Nissan de hoje, no

entanto, é uma outra instituição, radicalmente diferente, bem-sucedida,

moderna, brilhante, admirada.

O que mudou na Nissan e mudou a Nissan?

Mudou a pessoa que responde pela direção da instituição.

Desde a mais prosaica lojinha de pão-de-queijo até a mais poderosa

organização do planeta, todas as instituições são afetadas dramaticamente

por quem está à frente da sua administração.

Mesmo um país como os Estados Unidos, com instituições tão fortes e munido

de tantos e efetivos instrumentos para que não se veja dominado por

interesses individuais, não está livre da verdade de que a pessoa no comando

é determinante em relação a tudo o mais.

A troca do presidente muda dramaticamente as atitudes de um país, ou não é

esta uma evidência que está na nossa cara, para quem quiser ver?

É necessário refletir a respeito desse fato.

A escolha da pessoa que irá liderar a instituição, e não importa a natureza

dessa instituição ou seu tamanho, é mais importante do que todos os outros

fatores somados.

Nesse sentido, qualquer cargo de comando deve ser entendido como meio para a

manifestação da história de vida daquele que o ocupa.

E essa é a questão: quais histórias de vida estão sendo vivenciadas nos

postos de liderança.

Nada é mais complexo do que o homem dentro do seu próprio universo como

indivíduo, e o que está determinando o que as organizações são e fazem é o

indivíduo em toda sua complexidade.

Acreditar que o coletivo pode determinar as ações e destinos de uma

organização é uma visão romântica.

É a importância do cargo, e seu poder sobre as pessoas, que dá condição para

que a influência seja exercida. E os cargos são ocupados por indivíduos, não

pelo coletivo.

Precisamos refletir sobre que tipos de indivíduos estão tendo acesso, nas

instituições, a cargos que dão a eles a possibilidade de exercerem a sua

história de vida.

Que história de vida tem o pai de família, o professor, o padre da paróquia

ou o papa, o dono da quitanda, o CEO da multinacional ou o presidente de um

país.

Que história de vida tem a pessoa contratada para o cargo de gerente de

vendas regional ou gerente da agência de um banco em uma pequena cidade do

interior.

É fundamental esse questionamento porque podemos estar certos de que essa

pessoa irá fazer uso do cargo para, por meio dele, vivenciar a sua história

de vida.

Nenhuma organização, não importam os valores que adote, será diferente das

pessoas que ocupam seus cargos de comando. Repito: pessoas, e não

profissionais.

A tentativa de equalizar o comportamento da organização por meio da

disseminação de valores e crenças é uma tarefa de enorme dificuldade quando

esses valores e crenças não fazem parte da história de vida das pessoas.

As lideranças deveriam ser escolhidas e motivadas por esse pressuposto.

Como fazer uma organização assumir uma atitude e ser fiel a ela

naturalmente, a cada dia e em todas as suas ações?

A resposta está em começar a pensar na história de vida que o seu presidente

precisa ter e, a partir daí, em todos os outros cargos de comando e nas

pessoas que irão ocupá-los.

No íntimo de qualquer instituição, não existe outra coisa que não seja

gente. Esse é o fator determinante: que tipos de pessoas estão hoje no

comando e quais as que estarão no futuro.

Qual a formação que os futuros dirigentes estão recebendo, seus valores,

experiências como indivíduos, crenças, com que medos, sonhos e expectativas

estão sendo alimentados.

Qual a história de vida que as novas lideranças estão construindo e que irá

determinar suas atitudes em todas as situações de vida.

Esqueça os modelos de análise para tentar decodificar o mundo que estamos

vivendo ou o mundo que vem aí pela frente.

Desconfie das indicações vindas do comportamento coletivo. Esse

comportamento é apenas reflexo da ação de alguém que teve a oportunidade de

influenciar todos os que estão em sua órbita.

Os movimentos coletivos são, na verdade, um fenômeno que se traduz pela

adesão de um grande número de pessoas a uma liderança com poder de agir

sobre elas.

Identifique as lideranças atuais ou as que emergirão no futuro, suas

histórias de vida, e aí sim saberemos com grande grau de acerto por que as

coisas acontecem hoje e o que esperar desse futuro.

Ponha atenção no indivíduo, entenda o que ele é, e saberemos que mundo

estamos construindo.